Arquivo para julho, 2013

Harry Potter e os Protestos no Brasil

O assunto dos protestos está bem em alta ultimamente, mas já está cansando. A missão que me foi passada dessa vez seria comentar sobre os mesmos, mas como o próprio manifesto ainda não tem um futuro certo e estabelecido preferi falar de uma coisa MIL VEZES MAIS LEGAL que a nossa política burra e políticos “espertinhos”: HARRY POTTER! (todo mundo correndo pra abraçar a coleção de livros /DVDs /roupas /album de figurinhas /os cachorros que tem os nomes dos personagens [quem nunca]). Como eu sou subordinada aqui no site (e no resto da minha vida) eu simplesmente não poderia ignorar o pedido e falhar na missão, então decide comparar o momento em que se encontra a nossa sociedade com a amada história (não vou dizer meu bruxinho favorito porque meu coração é de Ronald Weasley) de HP!

  1. O GOVERNO CONTROLA TUDO

Na história o Ministério da Magia tem acesso a todos os tipos de informações da vida dos bruxos por via da burocracia (aliás, to escrevendo esse texto no dia 03 de julho, aniversário de Franz Kafka.) (Meu chefe advogado curtiu isso.) dos Bancos, históricos escolares para aplicação de leis, histórico dos bruxos desde o dia em que nasceram (na sala da Professora McGonagall existe uma pena encantada para escrever o nome de todos os bruxos nascidos, para Hogwarts mandar cartas de aceitação, mas esses dados são de poderio do Ministério da Magia na verdade) e do jornalismo, o Ministério controla de forma óbvia e “sutil” cada aspecto da vida dos bruxos. Sem imprensa e comércio livres, os bruxos são obrigados a confiar na benevolência de seu ministério.

Nem precisa dizer que no Brasil é nem um pouco diferente. Tivemos exemplo disso na cobertura da mídia sobre os protestos, como as emissoras (“EI, GLOBO, VAI TOMAR NO CU!” -Brasileiro, povo.) e alguns jornalistas (abraço carinhoso para Jabor e Datena). Claro que eles não respondem sozinhos, a principal emissora brasileira tem rabo preso com o Governo de forma aberta e conhecida, então de forma nenhuma iriam contraria o Estado. Exemplo disso é: você sabia que o Ministério Público ( o órgão que representa o povo perante a União) auferiu uma ação de improbidade administrativa contra Luís Inácio LULA da Silva, ou seja, o ex-Presidente junto ao ex-Ministro da Previdência Social fizeram merda. Segue um trecho do processo (lembrando que os processos no Brasil são públicos, salvo exceções):

“A presente ação tem por objeto a imposição de sanções civis-administrativas ao primeiro requerido (ex-Presidente da República) e a condenação de ambos os requeridos aos ressarcimento dos prejuízos causados ao erário, em razão da prática de ato de improbidade administrativa, consistente no envio irregular de correspondências aos segurados do INSS, através das quais informavam sobre a possibilidade de obtenção de empréstimos consignados com taxas de juros reduzidas”  – Processo 7807-08.2011.4.01.3400, pág 1.

#IssoAGloboNãoMostra

Enfim, os meios e recursos que o governo detém de nos monitorar são enormes, mas vai da disposição de quem comanda deliberar se vai à mídia e as vezes até mesmo à condenação.

profeta diário

  1. BRUXOS E BRUXAS SÃO MANTIDOS IGNORANTES

Currículo de Hogwarts requer cinco anos de Poções e Herbologia, mas não oferece uma única Economia, Matemática, Ciência, ou aula de “Como Socializar Com os Trouxas”, deixando graduados lamentavelmente despreparados para a maioria das profissões não convenientemente distribuídas a eles durante o teste patrocinado pelo governo. Isso mantém a comunidade insular, com nenhuma maneira dos jovens fugirem para a sociedade trouxa, ou mesmo debater seus direitos.

Se vocês leram o primeiro tópico até o final viram como também somos mantidos ignorantes, e não só de informação, mas também no nosso ensino básico. Alunos se formam sem saber interpretar um texto, discutir e expor suas ideias de forma clara e 92% dos casos equação de segundo grau, ou é algo tão complexo com título em química (nunca consegui aprender), ou simplesmente esquecido e nem estudado. E se alguém terminou o ensino médio e sabe o que é estatística vai se espantar: nem 15% dos concluintes sabem matémática (me diga uma novidade) e nem 30% sabe a nossa amada língua portuguesa (e não estamos falando só da educação pública, chorem ricos, mas vocês também estão nessas estatísticas).

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  1. …O QUE SIGNIFICA QUE NÃO TERÃO BONS TRABALHOS OU TRABALHARÃO PARA O GOVERNO:

Crianças bruxas têm uma pequena gama de carreiras para fingir e aspirar quando brincam de faz de conta. Empregos lucrativos parecem desproporcionalmente controlados pelo governo: Aurores, juristas, jornalistas, professores e burocratas. A maioria desses empregos vai para Puros Sangue e Mestiços favorecidos de alguma forma, deixando o resto para trabalhos indesejáveis como motoristas de ônibus / trem, lojistas, curandeiros, ou zeladores. As principais exceções, como na sociedade trouxa (a nossa, brasileira), são aqueles que se tornam celebridades, atores ou estrelas de Quadribol.

No Brasil a coisa não é diferente, muitos querem passar num concurso público pelas garantias e remunerações do cargo. Ao invés de Puros Sangue vamos colocar “crianças que estudaram em escolas particulares boas”, essas conseguirão os cargos maiores, já que os pais tiveram dinheiro para investir em sua educação, deixando para a grande maioria o “trabalho braçal”, o de apenas fazer e não pensar. E como na sociedade bruxa, as exceções aqui também serão as celebridades e jogadores de futebol que cultuamos.

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  1. “QUEM TE CONHECE QUE TE PAGUE”

Apesar de ser tanto um Puro Sangue, quanto possuir o que deveria ser um trabalho bem remunerado, como o chefe do Ministério do Mau Uso dos Artefatos dos Trouxas, a família de Arthur Weasley se esforça para fazer face às despesas. Alguém poderia argumentar “Ah, mas ele tinha uma caralhada de filhos (sete filhos)” seria uma pressão sobre o salário mais robusto, mas ter uma postura forte, sincero na igualdade e uma disposição amigável para trouxas afetava obviamente revisão anual do Sr. Weasley. Moral da história: suas afiliações políticas afetam sua taxa de remuneração.

Quem pode dar o exemplo disso aqui no Brasil é ícone da riqueza, e eu nem estou falando do Félix, e sim do Sr. Batista, Eike Batista. Quando Eike viu sua fortuna diminuir, sua posição no ranking de mais ricos do mundo cair e a água bater na bunda, pra quem ele foi correndo? DILMINHA. Trocaram carícias e tudo. Resultado: Governo brasileiro dando suporte ao Eike. Agora me diz se meu tio Zé, pai de uma das minhas melhores amigas e um dos homens mais corretos que eu conheço, tiver um aperto orçamental e sair correndo pra Dilma, ela vai trocar carícias com ele (mesmo porque acho que ele nem iria querer, sem falar que Dilma é lésbERROR ERROR ERROR). Acho que não. E não me venham falar de bolsa isso, bolsa aquilo, esse é um dos maiores mecanismos do governo para manter a população carente e de fácil manipulação.

Sr Wesley

  1. PRECONCEITO:

Agora chegou o momento. Do puro e simples medo dos trouxas e sua tecnologia estrangeira, para o tratamento mais benigno deles como “seres exóticos”, o isolamento auto-imposto gerou séculos de desinformação. Mesmo os bruxos mais amigáveis com os trouxas têm uma saudável desconfiança deles como um todo, “Oh, bem você não está como o resto deles. Você é como nós! “. A pobre da Hermione foi vítima desde criancinha de bullying por ser uma sangue ruim (todos chorando e querendo abraçar Hermione). Quem não se lembra de todas as cretinices que falavam pra ela, e até mesmo a cena nojenta do Ronnie (OI AMOR!!!) a defendendo e jogando um feitiço no Draco (bicha enrustida) (Feliciano curtiu) .  Ou mesmo a querida da Luna, que só por ser diferente (pra gente ver que mesmo num mundo com magia sempre tem alguém pra ser especial), tinha suas coisas escondidas e caçoavam dela E NO FINAL ELES CAGARAM NA BOCA DOS BULLIES TUDO! Ai, me emociono com Luna, desculpa gente.

Além dessa palhaçada toda que foi a tentativa ridícula de aplicar a “Cura Gay”, nossa sociedade ainda é extremamente preconceituosa com tudo que não entende. Tudo bem que isso pode ser uma reação natural do ser humano, não aceitar o que não entende, mas a partir do momento em que você gera uma reação desrespeitosa a isso, não é mais algo natural e sim estupidez sua.

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FINAL:

Bom gente, espero que tenham gostado das comparações e se vocês conseguirem traçar mais paralelos e quiserem deixa-los aqui nos comentários, a equipe do PB irá gostar muito. Eu tentei colocar os mais evidentes aqui, mas claro que existem muitos outros. O que importa dizer e o que realmente temos que levar dessa história toda é: MARCO FELICIANO É O DRACO MALFOY!!!!!!!!! Mentira. Na verdade não. Isso é verdade, mas não é essa a moral da história mas sim essa: Durante a batalha de Hogwarts muitos personagens foram perdidos, personagens que significavam o amor, carinho, lealdade e bom humor (Lupin, Tonks e Fred Weasley), mas outros se destacaram, como a coragem, o correto, a amizade e até mesmo o amor e a lealdade (O discurso maravilhoso do Neville e o beijo de Ron e Hermione na Câmara Secreta). Por mais que perdemos coisas preciosas, sentimentos preciosos, devemos nos levantar e continuar lutando, assim como Neville e assim como a família Weasley. Algumas reivindicações já foram adotas pela pressão dos protestos, mas o verdadeiro problema não está nas leis, mas sim em quem as elabora e aprecia. Voldemort não teria se tornado o bruxo que se tornou se não tivesse com quem contar. Não culpem a Dilma por todos os problemas do Brasil, ela não governa sozinha e muito menos é culpada da nossa cultura de voto que já vem das antigas. Ao invés de sermos mais um na multidão, vamos aprender a votar e vamos aprender a cobrar de nossos governantes.

Por Isabella Alves Garcia

Pensamentos de quem foi pra rua!

Há cerca de um mês nosso país está vivendo um momento único em sua história. Presenciamos centenas de manifestações populares tomando as ruas deste país em busca de mudança. A menos de trinta dias, os convites para as marchas, passeatas  e manifestações nas redes sociais, pararam de ter somente dezenas de participantes virtuais para terem milhares de participantes nas ruas. A gota d’água, como todos sabem, foi o aumento na tarifa do transporte público e a repressão violenta e sem sentido que estas primeiras manifestações receberam. Quem mora em São Paulo (e nas grandes capitais do Brasil) sabe que abdicamos de uma boa parte do nosso tempo para gastarmos no transito, até aí “tudo bem”, é o preço que se paga por morar numa capital, mas o problema real é a falta de infraestrutura dessa capital. São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, enfim, as grandes cidades de nosso país estão vivendo um colapso resultado de uma história sem planejamento, um crescimento desordenado e acúmulos de décadas de gestões ineficientes e problemáticas.
As cidades crescem, a demanda pelo transporte público aumenta, a qualidade cai cada vez mais. Acordar cada vez mais cedo, sentir-se cada vez mais espremido, motorista cada vez mais estressado. Para deixar o usuário ainda mais feliz, que tal subir a tarifa? Que tal adicionar a esse conto de fadas ruas esburacadas e mal iluminadas, falta de segurança, saúde precária e uma dezena de mazelas que a a população precisa enfrentar?metro-lotado-700x525-ae

Aí é pra perder as estribeiras mesmo. E o povo perdeu. Começaram os manifestos liderados pelo “Movimento Passe Livre”, logo os manifestos já não pediam apenas a redução da tarifa, mas também pediam melhorias na educação, sistema de saúde e formas de combater a corrupção no nosso país. O movimento não era mais de “estudantes da classe média sem causa” (Beijo Jabor, você é um escroto), era do país inteiro. Por mais que algumas cabecinhas fechadas ainda tentavam reverter o processo, deslegitimando o movimento, acusando os manifestantes de vandalismo e falta de moral, a coisa pegou fogo (o carro da Record tá aí pra provar [desculpa a piada de mal gosto]).

Em progresso

No dia 17 de junho, uma segunda feira, cumprimos a nossa promessa: O Brasil parou. E foi lindo de se ver! A maioria das pessoas estava cagando pro futebol, as ruas foram tomadas de gente clamando por melhores condições. Era um sonho se realizando, as pessoas haviam acordado para seus direitos e estavam cobrandos seus líderes. Aqui abro um parênteses: na quinta feira anterior ao dia 17 de junho, teve o 4º ato, o mais brutal e truculento de todos que São Paulo presenciou. Alguns estudantes estavam em sala de aula recebendo notícias pelas redes sociais e de amigos que estavam lá no meio, até que indagaram seu professor sobre o que ele achava sobre os protestos e ele soltou: “quando vocês invadirem o Congresso, onde o bicho realmente pega, aí vamos conversar”. O que aconteceu segunda feira? Esses mesmo alunos estavam no meio da passeata quando viram um aglomerado de gente em um posto de gasolina observando uma televisão até que alguém gritou “O CONGRESSO É NOSSO!” todos se olharam com cara de espanto e alegria indagando “será que é verdade?” Era verdade, senhores, haviam tomado o Congresso. As pessoas em São Paulo começaram a pular e se abraçar de felicidade. Agora a porra ficou séria. Pros governantes.

Uma onda de patriotismo e revolução invadiu o Brasil, famílias inteiras foram às ruas no seguinte ato, todos entenderam que não eram mais 0,20 centavos. Eram PECs, eram Royalties, eram minorias e era o povo unido. Mas como nem tudo pode ser céu de algodão doce cor de rosa, as intrigas entre os partidos e os manifestantes começaram. Manifestantes agredindo quem ia com bandeiras de partidos e vice-versa. Agora vamos tentar entender: estamos numa “Democracia”, clamando de forma democrática por melhorias, certa? Certo.  As manifestações têm caráter apartidário, certo? Certo. Mas democracia significa que todos podem participar, certo? Certo. POR QUE CARALHOS PARTIDOS-SINDICATOS-UNIÕES-DONAS-DE CASA-MEU CACHORRO NÃO PODEM PARTICIPAR? Me expliquem? Tudo bem que é bem provável que esses partidos tentarão se valer de imagens dos protestos dizendo “estávamos lá, querido eleitor, estávamos com você. Vote no nosso partido”, mas já que você teve a suposta consciência de protestar, de ir às ruas, de expor o que não lhe convém no Governo, deveria, supostamente, ter a mesma consciência de olhar para essa propaganda partidária e dar risada e não o seu voto. Um partido estando ali no meio da multidão não te obriga a votar nele, seu asno. Ele está ali com o mesmo direito que você, na verdade ele está te ajudando, pois está fazendo volume para a massa crescer. Depende de você enxergar a real intenção do partido. E eu só não levei meu cachorro pra defender os direitos dos animais, porque esse filho da puta fugiu de casa pra sassaricar com as cadelas de rua e voltou cheio de pulga. Infeliz. Outro fator importante a se destacar quanto aos partidos, eram, que na maioria das vezes eram PSTU, PCO, PSOL e outras minorias de esquerda que eram atacados. Esses micropartidos possuem na sua história a manifestação, antes mesmo de você pensar em clicar em participar de uma manifestação do facebook eles já estavam nas ruas por uma causa qualquer.

Recalque

E é aqui que tudo se torna muito confuso para alguns. As reivindicações foram atendidas em sua maioria (diminuição da tarifa, PEC 37 negada no Senado [ainda irá para votação dos Deputados], 100 % dos royalties do petróleo do pré-sal para a educação e saúde, cura gay arquivada. Tudo parece muito bom pra mim pra ser verdade. Eu ainda to chocada com o congresso concordando com a Dilminha cedendo os 100%. Parece tudo uma grande armadilha a espera dos manifestantes esperançosos. Tipo a história de João e Maria. A casa de doces maravilhosa ao final da estrada, o sonho de toda criança… BUM A BRUXA APARECE E FODE COM TUDO! Eu acho que a Bruxa na história nem seja a Dilma, porque, meus caros, os senhores realmente acham que só ela que faz o Governo? Todos nós aprendemos na escola sobre a tripartição do Poder. Dilma representa um. No caso do Governo Brasileiro nossas bruxas são outras e em sua maioria são bruxOs. E eu ainda estou esperando pela grande pegadinha. Pode ser uma visão negativista, mas é a minha que estou dividindo com os senhores. Ainda acredito no poder das massas, apenas não acredito no nosso governo cedendo tão rápido e de forma tão “generosa”. E será que essa pressa em votar a chamada “agenda positiva” será mesmo benéfica para o país? Há seriedade na votação destes projetos? Eles vão realmente trazer benefícios para a população ou só servem para tentar tampar o sol com a peneira? O Brasil precisa mesmo desta reforma política ou basta trocar as pessoas que fazem política neste país? Só o tempo dirá e é bom ficarmos atentos, para que essa oportunidade de mudança se torne um infeliz pesadelo para nosso país.

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O que acham de tudo isso? O que acham de nosso texto? Deixem um elogio nos comentários. Se vocês não concordam, eu sou Geraldo Alckmin na brincadeira e não dialogo com vagabundo! Brincas, podem deixar o xingamento nos comentários, também somos uma democracia.

Texto de Isabella Garcia. Colaboração de Augusto Araújo.

Edição final @PirulitodBanana.

Confissões de um Candy Crusher Anônimo

Era final de Março, inicio das minhas férias na Universidade federal, quando voltei para minha boa e velha Minas Gerais. Reencontraria minha família e meus amigos, dos quais estava morrendo de saudade. O primeiro reencontro foi com minha querida prima, praticamente uma irmã pra mim. Mal sabia o que me esperava. Pelas mãos dela fui iniciado em um vicio, um dos piores, quiçá, que existe, o Candy Crush. Sim, o joguinho do Facebook de maior sucesso nos últimos tempos, mais até que o ~tramzudo~ SongPop (por onde anda SongPop? Sdds SongPop. Um beijo, SongPop).

Tudo começou como uma questão de honra do tipo: “Isso não pode ser tão difícil assim” e “Eu vou conseguir o que ela não conseguiu”. E nas primeiras fases, era tudo realmente muito fácil. Então o que era uma questão de honra se tornou diversão. Quer coisa mais prazerosa do que ficar imaginando as combinações de docinhos coloridos do jogo? Ainda mais nas férias que, durante a semana, não havia nada para ser feito. Ficava horas jogando, mentira, ficava até terminarem minhas vidas e eu ser obrigado a esperar intermináveis trinta minutos por uma nova.

Foi quando tudo se tornou uma obsessão. Comecei a ficar madrugadas inteiras jogando, quando saía de casa sempre dava um jeito de jogar em Galaxies SIII e iPhones alheios, principalmente o de mamãe. Minha linda genitora, coitada, mal sabia o que aconteceria. Dia 4 de abril, aniversário de 80 anos da bisa, ela louca para tirar fotos com todos os familiares (apesar de ser sempre a mesma coisa, as mesmas fotos que se perdem sem serem postadas nas redes sociais vigentes) e lá está o celular, sem bateria, pois minutos antes eu jogara Candy Crush, e também porque a Apple não sabe brincar de bateria, não é mesmo, minha gente? Enfim. Minha mãe amaldiçoou até minha última geração depois do ocorrido, mesmo assim continuei jogando, até conhecer o POU. Sim, a versão 3.0 do antigo tamagotchi.

deputados jogando candy crush

Então eu me desvencilhei um pouco das amarras do Candy Crush e comecei a compartilhar minha atenção com o pequeno POU, lhe dando comida, banho, carinho e atenção e às vezes brincando com os joguinhos que ele traz consigo.

Minhas aulas recomeçaram, retornei para os ares gélidos do sul e finalmente, pensei eu, me vi livre do vicio do Candy Crush. Ledo engano. Era tudo emoção de inicio de semestre, pessoas novas na faculdade, festas todos os finais de semana e uma breve separação do jogo maldito. Mesmo assim, com muitos compromissos em minha agenda ~cof cof~ sempre arranjava um tempinho para jogar e tentar passar da fase 79, onde eu to ~preso~ desde minha volta ao sul.

O feriado de Corpus Christi chegou, foi muito divertido e quando do retorno da minha querida roomate da capital, agora também viciada em Candy Crush, resolvi voltar a tentar passar da fase 79, agora de uma maneira hard. Vida vai, vida vem, porém, deveras estressado and deprimido, cometi a insanidade de gastar 21 reais para comprar boosters (manhas, por assim dizer) para me ajudar a passar de fase e, mesmo assim, minha tentativa foi falha.

candy crush protestos

Mas não cabe aqui, querido leitor, saber se a tentativa foi falha ou não. Cabe aqui, ressaltar o fundo do poço ao qual eu cheguei. 21-REAIS-VINTE-E-UM-REAIS. Vocês sabem o que é isso? Tá bem que não é muita coisa, mas para um estudante universitário é bastante coisa. Como um fim de semana de open bar na buatchy, ou duas semanas de almoço no R.U. (Restaurante Universitário) e eu gastei comprando créditos pra um jogo no Facebook. NO FACEBOOK.

E onde eu quero chegar com isso, meus caros? Não quero, JÁ cheguei. Ao fundo do poço. Me sinto um paraplégico, um usuário de drogas que se vê amarrado, incapaz de largar o vicio. E aqui vou dar uma de reacionário, vou fazer um apelo à Rainha da Nação, se usuários de crack têm o Bolsa Crack, sou super à favor de uma BOLSA CANDY CRUSH. Se não como forma de apoio psicológico aos usuários desse vicio que aflige as famílias brasileiras, quiçá, mundiais, um dinheiro extra para comprarmos boosters, porque um booster pra passar de fase no Candy Crush, é mais de vinte reais.

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DIGA NÃO ÀS DROGAS. DIGA NÃO AO CANDY CRUSH.

Por Matheus Hermogenes, colaborador do blog e viciado em CC.

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