Era final de Março, inicio das minhas férias na Universidade federal, quando voltei para minha boa e velha Minas Gerais. Reencontraria minha família e meus amigos, dos quais estava morrendo de saudade. O primeiro reencontro foi com minha querida prima, praticamente uma irmã pra mim. Mal sabia o que me esperava. Pelas mãos dela fui iniciado em um vicio, um dos piores, quiçá, que existe, o Candy Crush. Sim, o joguinho do Facebook de maior sucesso nos últimos tempos, mais até que o ~tramzudo~ SongPop (por onde anda SongPop? Sdds SongPop. Um beijo, SongPop).

Tudo começou como uma questão de honra do tipo: “Isso não pode ser tão difícil assim” e “Eu vou conseguir o que ela não conseguiu”. E nas primeiras fases, era tudo realmente muito fácil. Então o que era uma questão de honra se tornou diversão. Quer coisa mais prazerosa do que ficar imaginando as combinações de docinhos coloridos do jogo? Ainda mais nas férias que, durante a semana, não havia nada para ser feito. Ficava horas jogando, mentira, ficava até terminarem minhas vidas e eu ser obrigado a esperar intermináveis trinta minutos por uma nova.

Foi quando tudo se tornou uma obsessão. Comecei a ficar madrugadas inteiras jogando, quando saía de casa sempre dava um jeito de jogar em Galaxies SIII e iPhones alheios, principalmente o de mamãe. Minha linda genitora, coitada, mal sabia o que aconteceria. Dia 4 de abril, aniversário de 80 anos da bisa, ela louca para tirar fotos com todos os familiares (apesar de ser sempre a mesma coisa, as mesmas fotos que se perdem sem serem postadas nas redes sociais vigentes) e lá está o celular, sem bateria, pois minutos antes eu jogara Candy Crush, e também porque a Apple não sabe brincar de bateria, não é mesmo, minha gente? Enfim. Minha mãe amaldiçoou até minha última geração depois do ocorrido, mesmo assim continuei jogando, até conhecer o POU. Sim, a versão 3.0 do antigo tamagotchi.

deputados jogando candy crush

Então eu me desvencilhei um pouco das amarras do Candy Crush e comecei a compartilhar minha atenção com o pequeno POU, lhe dando comida, banho, carinho e atenção e às vezes brincando com os joguinhos que ele traz consigo.

Minhas aulas recomeçaram, retornei para os ares gélidos do sul e finalmente, pensei eu, me vi livre do vicio do Candy Crush. Ledo engano. Era tudo emoção de inicio de semestre, pessoas novas na faculdade, festas todos os finais de semana e uma breve separação do jogo maldito. Mesmo assim, com muitos compromissos em minha agenda ~cof cof~ sempre arranjava um tempinho para jogar e tentar passar da fase 79, onde eu to ~preso~ desde minha volta ao sul.

O feriado de Corpus Christi chegou, foi muito divertido e quando do retorno da minha querida roomate da capital, agora também viciada em Candy Crush, resolvi voltar a tentar passar da fase 79, agora de uma maneira hard. Vida vai, vida vem, porém, deveras estressado and deprimido, cometi a insanidade de gastar 21 reais para comprar boosters (manhas, por assim dizer) para me ajudar a passar de fase e, mesmo assim, minha tentativa foi falha.

candy crush protestos

Mas não cabe aqui, querido leitor, saber se a tentativa foi falha ou não. Cabe aqui, ressaltar o fundo do poço ao qual eu cheguei. 21-REAIS-VINTE-E-UM-REAIS. Vocês sabem o que é isso? Tá bem que não é muita coisa, mas para um estudante universitário é bastante coisa. Como um fim de semana de open bar na buatchy, ou duas semanas de almoço no R.U. (Restaurante Universitário) e eu gastei comprando créditos pra um jogo no Facebook. NO FACEBOOK.

E onde eu quero chegar com isso, meus caros? Não quero, JÁ cheguei. Ao fundo do poço. Me sinto um paraplégico, um usuário de drogas que se vê amarrado, incapaz de largar o vicio. E aqui vou dar uma de reacionário, vou fazer um apelo à Rainha da Nação, se usuários de crack têm o Bolsa Crack, sou super à favor de uma BOLSA CANDY CRUSH. Se não como forma de apoio psicológico aos usuários desse vicio que aflige as famílias brasileiras, quiçá, mundiais, um dinheiro extra para comprarmos boosters, porque um booster pra passar de fase no Candy Crush, é mais de vinte reais.

candy crush

DIGA NÃO ÀS DROGAS. DIGA NÃO AO CANDY CRUSH.

Por Matheus Hermogenes, colaborador do blog e viciado em CC.

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