Há cerca de um mês nosso país está vivendo um momento único em sua história. Presenciamos centenas de manifestações populares tomando as ruas deste país em busca de mudança. A menos de trinta dias, os convites para as marchas, passeatas  e manifestações nas redes sociais, pararam de ter somente dezenas de participantes virtuais para terem milhares de participantes nas ruas. A gota d’água, como todos sabem, foi o aumento na tarifa do transporte público e a repressão violenta e sem sentido que estas primeiras manifestações receberam. Quem mora em São Paulo (e nas grandes capitais do Brasil) sabe que abdicamos de uma boa parte do nosso tempo para gastarmos no transito, até aí “tudo bem”, é o preço que se paga por morar numa capital, mas o problema real é a falta de infraestrutura dessa capital. São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, enfim, as grandes cidades de nosso país estão vivendo um colapso resultado de uma história sem planejamento, um crescimento desordenado e acúmulos de décadas de gestões ineficientes e problemáticas.
As cidades crescem, a demanda pelo transporte público aumenta, a qualidade cai cada vez mais. Acordar cada vez mais cedo, sentir-se cada vez mais espremido, motorista cada vez mais estressado. Para deixar o usuário ainda mais feliz, que tal subir a tarifa? Que tal adicionar a esse conto de fadas ruas esburacadas e mal iluminadas, falta de segurança, saúde precária e uma dezena de mazelas que a a população precisa enfrentar?metro-lotado-700x525-ae

Aí é pra perder as estribeiras mesmo. E o povo perdeu. Começaram os manifestos liderados pelo “Movimento Passe Livre”, logo os manifestos já não pediam apenas a redução da tarifa, mas também pediam melhorias na educação, sistema de saúde e formas de combater a corrupção no nosso país. O movimento não era mais de “estudantes da classe média sem causa” (Beijo Jabor, você é um escroto), era do país inteiro. Por mais que algumas cabecinhas fechadas ainda tentavam reverter o processo, deslegitimando o movimento, acusando os manifestantes de vandalismo e falta de moral, a coisa pegou fogo (o carro da Record tá aí pra provar [desculpa a piada de mal gosto]).

Em progresso

No dia 17 de junho, uma segunda feira, cumprimos a nossa promessa: O Brasil parou. E foi lindo de se ver! A maioria das pessoas estava cagando pro futebol, as ruas foram tomadas de gente clamando por melhores condições. Era um sonho se realizando, as pessoas haviam acordado para seus direitos e estavam cobrandos seus líderes. Aqui abro um parênteses: na quinta feira anterior ao dia 17 de junho, teve o 4º ato, o mais brutal e truculento de todos que São Paulo presenciou. Alguns estudantes estavam em sala de aula recebendo notícias pelas redes sociais e de amigos que estavam lá no meio, até que indagaram seu professor sobre o que ele achava sobre os protestos e ele soltou: “quando vocês invadirem o Congresso, onde o bicho realmente pega, aí vamos conversar”. O que aconteceu segunda feira? Esses mesmo alunos estavam no meio da passeata quando viram um aglomerado de gente em um posto de gasolina observando uma televisão até que alguém gritou “O CONGRESSO É NOSSO!” todos se olharam com cara de espanto e alegria indagando “será que é verdade?” Era verdade, senhores, haviam tomado o Congresso. As pessoas em São Paulo começaram a pular e se abraçar de felicidade. Agora a porra ficou séria. Pros governantes.

Uma onda de patriotismo e revolução invadiu o Brasil, famílias inteiras foram às ruas no seguinte ato, todos entenderam que não eram mais 0,20 centavos. Eram PECs, eram Royalties, eram minorias e era o povo unido. Mas como nem tudo pode ser céu de algodão doce cor de rosa, as intrigas entre os partidos e os manifestantes começaram. Manifestantes agredindo quem ia com bandeiras de partidos e vice-versa. Agora vamos tentar entender: estamos numa “Democracia”, clamando de forma democrática por melhorias, certa? Certo.  As manifestações têm caráter apartidário, certo? Certo. Mas democracia significa que todos podem participar, certo? Certo. POR QUE CARALHOS PARTIDOS-SINDICATOS-UNIÕES-DONAS-DE CASA-MEU CACHORRO NÃO PODEM PARTICIPAR? Me expliquem? Tudo bem que é bem provável que esses partidos tentarão se valer de imagens dos protestos dizendo “estávamos lá, querido eleitor, estávamos com você. Vote no nosso partido”, mas já que você teve a suposta consciência de protestar, de ir às ruas, de expor o que não lhe convém no Governo, deveria, supostamente, ter a mesma consciência de olhar para essa propaganda partidária e dar risada e não o seu voto. Um partido estando ali no meio da multidão não te obriga a votar nele, seu asno. Ele está ali com o mesmo direito que você, na verdade ele está te ajudando, pois está fazendo volume para a massa crescer. Depende de você enxergar a real intenção do partido. E eu só não levei meu cachorro pra defender os direitos dos animais, porque esse filho da puta fugiu de casa pra sassaricar com as cadelas de rua e voltou cheio de pulga. Infeliz. Outro fator importante a se destacar quanto aos partidos, eram, que na maioria das vezes eram PSTU, PCO, PSOL e outras minorias de esquerda que eram atacados. Esses micropartidos possuem na sua história a manifestação, antes mesmo de você pensar em clicar em participar de uma manifestação do facebook eles já estavam nas ruas por uma causa qualquer.

Recalque

E é aqui que tudo se torna muito confuso para alguns. As reivindicações foram atendidas em sua maioria (diminuição da tarifa, PEC 37 negada no Senado [ainda irá para votação dos Deputados], 100 % dos royalties do petróleo do pré-sal para a educação e saúde, cura gay arquivada. Tudo parece muito bom pra mim pra ser verdade. Eu ainda to chocada com o congresso concordando com a Dilminha cedendo os 100%. Parece tudo uma grande armadilha a espera dos manifestantes esperançosos. Tipo a história de João e Maria. A casa de doces maravilhosa ao final da estrada, o sonho de toda criança… BUM A BRUXA APARECE E FODE COM TUDO! Eu acho que a Bruxa na história nem seja a Dilma, porque, meus caros, os senhores realmente acham que só ela que faz o Governo? Todos nós aprendemos na escola sobre a tripartição do Poder. Dilma representa um. No caso do Governo Brasileiro nossas bruxas são outras e em sua maioria são bruxOs. E eu ainda estou esperando pela grande pegadinha. Pode ser uma visão negativista, mas é a minha que estou dividindo com os senhores. Ainda acredito no poder das massas, apenas não acredito no nosso governo cedendo tão rápido e de forma tão “generosa”. E será que essa pressa em votar a chamada “agenda positiva” será mesmo benéfica para o país? Há seriedade na votação destes projetos? Eles vão realmente trazer benefícios para a população ou só servem para tentar tampar o sol com a peneira? O Brasil precisa mesmo desta reforma política ou basta trocar as pessoas que fazem política neste país? Só o tempo dirá e é bom ficarmos atentos, para que essa oportunidade de mudança se torne um infeliz pesadelo para nosso país.

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O que acham de tudo isso? O que acham de nosso texto? Deixem um elogio nos comentários. Se vocês não concordam, eu sou Geraldo Alckmin na brincadeira e não dialogo com vagabundo! Brincas, podem deixar o xingamento nos comentários, também somos uma democracia.

Texto de Isabella Garcia. Colaboração de Augusto Araújo.

Edição final @PirulitodBanana.

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