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E essa tal ditadura gay?

No meu texto de estreia aqui no blog do Pirulito de Banana, abordei a polêmica em torno das declarações dos seres humanos [será?] Silas Malafaia, Joelma, Marcos Feliciano e também sobre o [lindo] fato da Daniela Mercury ter assumido seu amor para todo o país. Logo em seguida, o nosso boss Pirulito, me deu uma nova tarefa: falar sobre o “outro lado”, ou seja, analisar as retaliações que as pessoas sofrem quando emitem opiniões divergentes, como as que aconteceram com a pobre [só que não] Joelma.

Enfim, ao meu ver, essas retaliações são a coisa mais natural do mundo, explico: muitas pessoas (a.k.a. Silas Malafaia [olha ele aqui de novo], Marco Feliciano [olha, ele também], e Jair Bolsonaro) acusam o movimento LGBT de tentar instalar uma “ditadura gay” reprimindo quem emite opinião contrária a dele. Pois bem, a partir daí caímos naquele velho lugar comum de que “agora tudo virou homofobia”, de que “o preconceito vem deles mesmos” (tanto relativo a negros, quanto a homossexuais) e o “cadê a  liberdade de expressão?” Gente, para.

O que eu mais tenho visto nesses últimos tempos em que a união civil igualitária vem sendo discutida, é que, se instalou praticamente uma guerra no Brasil, tanto na internet, quanto na televisão, entre aqueles que apoiam e os que são contra, são aqueles que disfarçam seu preconceito de “liberdade de expressão”.

 Falta de liberdade de expressão ocorreu durante a ditadura, com os diversos órgãos de censura e tortura do regime. Hoje em dia, o que eu mais vejo são veículos da mídia que, atrás de ibope, dão voz a esses indivíduos que pregam mensagens de ódio e desamor contra tudo o que é diferente de si.

O que os deixa profundamente irritados é que a toda poderosa Rede Globo não dá esse espaço a eles, pois, entre um milhão de criticas que se podem ser feitas contra a Globo, se há uma coisa onde não se pode criticá-la, mas sim elogiá-la é quanto ao grande trabalho de conscientização e aceitação que ela tem feito sobre o direito dos gays de formarem suas próprias famílias.

Quanto à tal “ditadura gay” que uns e outros por aí insistem em dizer que existe, eu meio que já falei sobre isso no meu texto anterior. Se ao longo dos séculos as mulheres, os negros, as classes trabalhadoras, e até mesmo os burgueses, não tivessem se articulado para defender seus direitos, nós ainda estaríamos tendo de beijar as mãos de um rei, ou, quiçá, estaríamos passando por cerimônias de suserania e vassalagem (sdds feudalismo).

Então, galera, se os gays não gritarem, não discutirem, e não defenderem seu ponto de vista, apenas por causa do direito de “liberdade de expressão” que seus opressores, se fazem de vítima, e buscam defender, seus direitos jamais seriam discutidos como estão sendo hoje em dia, e jamais seriam aceitos como, creio eu, serão muito em breve.

Não confundamos opressores com oprimidos, os opressores continuam sendo eles, Joelmas, Bolsonaros, Felicianos e Malafaias (assim mesmo, no plural, pois eles não são os únicos, são apenas a cara de milhões de brasileiros opressores e conservadores) e os oprimidos continuam sendo os gays. Espero com ansiedade o dia quando não haverão nem mais opressores, nem mais oprimidos, quando serão todos iguais.

estamosdeolho

P.s.: O deputado Jean Wyllis, a cima, único parlamentar assumidamente homossexual, já foi ameaçado diversas vezes, inclusive de morte, pelas bandeiras que defende, além das calúnias divulgadas sobre ele a fim de alienar a população. Enquanto isso, o deputado Jair Bolsonaro, continua lá, falando o que quer, respaldado pelos setores conservadoristas. Só tenho uma coisa a dizer, meus queridos: estamos de olho.

E você, o que acha de tudo isso? Responda nossa enquete e deixe seu comentário para nós.

Por Matheus  Hermógenes.

Feliciano, Malafaia, Joelma e muito amor!

Feliciano, Malafaia, Joelma e muito amor! Nada melhor do que iniciar minha colaboração com o blog do Pirulito falando sobre estes cliches dos noticiários nacionais.  Desde a entrevista dada por Silas Malafaia a nossa querida Maria Gabriela, no “De frente com Gabi”, no SBT, dia 3 de fevereiro, fomos confrontados com uma enxurrada de comentários e ações que imaginei não existirem mais. Sério, sempre que acho que esse país está indo pra frente, que estamos chegando a uma situação onde as liberdades individuais são realmente respeitadas, vem um Malafaia da vida e VRAAAAAH na minha cara.

malafaia e gabi

Logo depois do maior amontoado de besteiras sobre genética e comportamento que a televisão brasileira presenciou, tivemos vídeos de especialistas em genética rebatendo o Malafaia, do Malafaia rebantendo os especialistas num círculo vicioso forevá!

Quando eu achei que a poeira estava começando a baixar vem a vida e mais uma vez VRAAAAH na minha cara, eis que surge, Marco Feliciano. Pastor da Igreja Assembleia de Deus que já era conhecido por declarações de cunho racista feat. homofóbicos no twitter.

Feliciano twitter

E como tudo que é abençoado sobe na vida, o deputado Marco Feliciano (que só representa o estado de São Paulo que o elegeu), aqui carinhosamente chamado de Felicianus, se tornou o presidente da comissão de direitos humanos da câmara de deputados. O mundo inteiro do Brasil resolveu reagir contra esse exú sem luz, e claro, que isso de nada adiantou.

 feliciano não me representa

Até Deus e a toda poderosa Dilma aderiram a campanha “Feliciano Não Nos Representa”.

deus-representa

Vale ressaltar que, de maneira alguma, o Marco Feliciano foi rechaçado da forma como foi por ser única e simplesmente Pastor, o que acontece é que ele não tem histórico de defesa dos direitos humanos, ao contrário, como provam suas declarações.

 E não foram apenas os “comuns” que protestaram contra ele, várias celebridades se posicionaram contra a postura do pastor-deputado, seguem:

tonico-pereira-e-ricardo-Blat-creditos-crsitina-granato

Tonico Pereira, o Mendonça d’A Grande Família, e Ricardo Blat

Bruno Gagliasso e Matheus Nastergale.

Bruno Gagliasso e Matheus Nastergale.

A maior atriz brasileira, Fernanda Montenegro com a também atriz Camila Amado.

A maior atriz brasileira, Fernanda Montenegro com a também atriz Camila Amado.

Além de Ney Matrogrosso e Mart’nália, conhecidamente homossexuais:

martinlia-ney

Os protestos não pararam, o Felicianus não saiu e tudo continua na mesma coisa, como sempre acontece nesse país.

O último episódio dessa onda de conservadorismo veio da nossa mui amada cantora Joelma, da Banda (apo)Calyps(e)o. Que até então era adorada por muitos gays de gosto duvidoso. Em entrevista a uma revista ela comparou homossexuais a drogas, afirmando que a cura de um era tão difícil quanto a de outro. A cantora tentou contornar a situação, dando diversas desculpas que só pioraram a situação. Boatos apontam que o marido da cantora, Chimbinha, também da banda, entrou em depressão depois das declarações da esposa, já que o número de shows e de patrocinadores caiu vertiginosamente. As marcas alegaram não querer vincular sua imagem a polêmicas. O filme que contaria a história da banda, inclusive, também foi cancelado ~eu acho é pouco~.

Joelma Calypso

E como as gay não perdoa, essa imagem da lymdha -not Joelma sem maquilagem depois de um show, circulou na internet depois das declarações da cantora.

No meio disso tudo a linda da Daniela Mercury assumiu seu relacionamento com a jornalista Malu Verçosa, dando um tapa de luvas na cara dos preconceituosos.

daniela1

E vai o recado:

daniela mercury

Enfim, o que as Joelmas, os Malafaias e os Felicianos da vida parecem, ou pelo menos fingem, não entender é que ninguém escolhe ser homossexual, existem vários fatores, tanto genéticos quanto sociais que levam uma pessoa a sê-lo e não existe cura para isso, afinal, a homossexualidade, assim como a bi, a hetero, a trans, NÃO SÃO DOENÇAS.

O que eles parecem não entender, também, é que os homossexuais não querem ter direitos a mais que os heterossexuais, eles querem ter apenas os MESMOS direitos. Um heterossexual não apanha por ser heterossexual, não sofre constrangimento, humilhações, um homossexual sim.

Os homossexuais não querem destruir a família “tradicional”, que já vem se desestruturando por suas próprias atitudes, como a traição, o desamor, a ignorância e a incompreensão (mas isso já é outro caso, outro assunto), os homossexuais querem apenas construir suas próprias famílias.

Joelmas, Malafaias e Felicianos da vida, ao usarem a Bíblia para legitimar seu preconceito, esquecem que a sociedade, há dois mil anos atrás, quando a Bíblia foi escrita, era uma sociedade totalmente diferente da atual. Se a sociedade não tivesse mudado durante esses 21 séculos que se passaram de lá para cá, pobres, negros e mulheres não teriam conquistado os direitos que hoje possuem, e assim é com os gays, que apenas lutam por seus direitos sem querer diminuir os direitos dos outros.

Jesus pregou uma mensagem de amor ao próximo, protegeu uma prostituta de ser apedrejada, e dentre tantas mensagens de amor, essas pessoas escolhem justamente aquelas que falam de ódio, ou melhor, que eles transformam em mensagens de ódio.

Muitos políticos propõem que essa questão seja levada ao voto público, mas com tantos posicionamentos contra a união civil igualitária, seria no mínimo incoerente submeter os direitos das minorias à vontade, muitas vezes tirana, da maioria. Num sociedade democrática, nunca direitos das minorias são votados pela maioria, pois cabe ao estado proteger as minorias e o bem comum.

Por fim, crer em Deus, e não crer (porque não?), ou crer no que quiser, não impede, em momento nenhum, defender o direito das minorias, para isso, basta crer no amor. VIVA O AMOR!

Um super BjoMeChupa,

Por Matheus Hermogenes, colaborador do blog.

Edição @pirulitodbanana.

[Textos de nossos colaboradores não expressam a opinião deste blog. ]

Tapa na cara: O estupro do BBB e a reação popular!

Hoje damos início a série de novidades que preparamos para o blog em 2012, e a primeira delas é a estréia da coluna: Tapa na Cara! A ideia é debater pautas polêmicas que fazem parte de nossas vidas e de dar um tapa na cara desse povo acomodado, e para nossa estréia um clichê de janeiro: vamos falar de BBB!

estupro bbb

Não estou aqui para defender ou atacar o programa, mas se tem uma coisa que temos que reconhecer é a capacidade que o BBB tem de revelar os valores da sociedade brasileira e talvez seja esse o grande problema do programa, muitos não conseguem admitir que vivemos numa sociedade baseada na hipocrisia, que se diz moderna e acolhedora, mas que na verdade gosta mesmo é de julgar, ser machista, de rotular e de apontar o erro do outro.

E como exemplo disso, podemos utilizar o caso, ou suposto caso, de estupro dentro do programa para exemplificar dois comportamentos de nossa sociedade amável: a desvalorização da mulher e o complexo de coitadinho.

Logo depois do ocorrido, multiplicaram-se os posts na internet pedindo a expulsão do rapaz e denunciando o abuso, mas ao ler esses artigos nos deparamos com uma série de comentários que colocavam a culpa do ocorrido na própria moça. Nos comentários, e muitos deles feitos por mulheres, podíamos ler ataques do tipo: “vagabunda, provocou e agora tem que aguentar”, “ninguém mandou provocar, afinal ele é homem”. Ou seja, na visão machista de nossa sociedade uma mulher bonita deveria usar burca e se ela for na balada que não dance e fique bem quietinha, pois se provocar merece mesmo levar vara na periquita. Depois Rafinha Bastos que era um canalha por querer comer a Wanessa com bebê e tudo. Para o brasileiro, mulher que dança, bebe e usa roupa curta é vagabunda e ponto final. Se ela foi abusada é porque estava procurando, ou se ela fez porque quis, como a Tessália fez em edições passadas, é vagabunda declarada.

Ou seja, na hora de apontar o erro do outro, viramos especialistas: fulano é mal pois faz panelinha para levar vantagem, guria é vagabunda pois mostra a bunda, o vizinho é frouxo e por isso tem problemas em casa, e assim viramos um país campeão em indicar as falhas e os defeitos dos outros, como se isso fosse esconder a nossa própria podridão, os nossos próprios defeitos e as nossas ações que geralmente, são as mesmas que estamos atacando.

O segundo fato que o ocorrido trouxe a tona, é o complexo de coitadinho. Após a expulsão do rapaz, choveram comentários do tipo “só expulsaram ele pois era afrodescendente, se fosse o Jonas loirinho não fariam nada”. E com esse ‘bla bla bla’ exigimos um tratamento diferenciado como se o ato da pessoa fosse simplesmente descartável, usamos do complexo de coitadinho para tentar justificar nossos erros e deixarmos de lado a responsabilidade por nossos atos. É comum encontrar pessoas que adoram se fazer de vítimas, usando a cor, a orientação sexual, o peso ou o gênero como muletas para tudo. Ora, preconceito existe, não vou negar, mas o pior preconceito é aquele que está interiorizado nas pessoas que acham que tudo gira em torno do seu estereótipo e que elas não fazem nada, nadinha para merecerem os atos que recaem sobre as suas vidas. Pessoas são boas e más e devem arcar com as consequências disso, não é por que é gay e sofre homofobia que deve ter sua culpa relevada e por aí vai. Errou, seja homem e assuma. Vamos fazer com que a nossa luta seja sempre pela justiça que vai punir o infrator independente da classe, cor, beleza ou qualquer outro fator. Se a Maria fez mal para o João, não é justo que o João desconte na Estela. Menos rótulos e mais justiça, é disso que o povo precisa.

E vocês, concordam com os pontos levantados? Discordam? O debate de ideias começou e por isso comente, compartilhe, me elogie ou me critique, vamos juntos construir conhecimento!

Um super BjoMeChupa,

@pirulitodbanana

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